terça-feira, 7 de junho de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Foi de assustar
Como podemos definir a postura da polícia militar para organizar a marcha da maconha? Agressão por nada? Agressão por ignorância, despreparo? Um policial militar que vestindo coturno e farda do Estado “da um rodo” covarde num cara com 1/3 do tamanho dele, completamente desarmado e rendido faz com que fique difícil entender de que lado a policia está. Na passeata haviam profissionais de muitas áreas e bem qualificados. Pessoas que trabalham, que correm atrás do dinheiro de cada dia e pagam impostos. Estudantes colegiais e universitários. Jornalistas, protestando ou trabalhando. Por que tratar uma manifestação com tamanha violência? O fotógrafo que aparece apanhando da policia, levando uma solada de um guarda da GCM, um golpe de cassetete estando completamente rendido e desarmado é um gigantesco absurdo. A sociedade não deve levar essa postura como algo normal. A policia deve ser cobrada a esclarecer os motivos que os levaram a agredir àquele fotógrafo. Será que existem tapas na cara, chutes, humilhações, que não são gravados? Faz me rir ! Devemos ficar de olho para os excessos, pois podem acontecer contra qualquer um. Seja qual for a passeata, seja qual for o grito, não podemos aceitar que a liberdade de expressão seja sufocada dessa maneira.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Sem dublê
Quando o assunto é andar pelas ruas de São Paulo, eu sou como formiga. Uso sempre os atalhos que já conheço para fugir do trânsito caótico. Na segunda-feira, dia 21, sai da redação, que fica na av: Ipiranga, às 20hs. Peguei um taxi para ir para minha casa, no Brooklin. Falei ao motorista que seguisse um caminho que sou acostumado e ele me atendeu de imediato. Ao chegarmos a av: Nove de Julho, já no final, o trânsito complicou e o motorista me perguntou se podíamos seguir por dentro do Itaim Bibi. Concordei e fomos. Chegamos a rua Funchal, Passamos por baixo do viaduto Ary Torres e paramos no farol que cruza a av: Luis Carlos Berrini. O farol abriu. O motorista largou. Eu, sentado no banco de trás, reparei que um carro fazia a curva numa velocidade desproporcional para quem vinha em direção a um farol vermelho. Continue fitando o veículo que estava aproximadamente a 60 km/h. Não deu outra. O cara passou o farol vermelho. Tentei avisar o taxista mas, sem chance. Ele ia colidir com o taxi. Ainda deu tempo de pensar: wrong way man. Pulei da direita para a esquerda do banco de trás do veículo. CABUM! POW! TRASH! Nem sei que carro era. A pancada foi fortíssima. Algo atingiu minha perna. A dor foi insuportável. Senti moleza em todo o corpo e pensei que tivesse quebrado minha bacia, talvez minha perna. Tentei mover-me. Não dava. A dor me limitava. Pedi ao taxista que chamasse uma ambulância. Deitado, sem me mexer e bem assustado, liguei para minha mulher e para minha irmã. Os agentes do CET conversavam comigo. O taxista e o condutor do veículo também. Sentia muita dor e só queria que chegasse logo alguém para me socorrer. Não tinha idéia da gravidade. Minha família chegou antes da ambulância do SAMU que me conduziu ao hospital. Raio-X, ultra som, injeção na veia de relaxante muscular, anti inflamatório e analgésico. A dor diminui. O médico confirmou que não havia ossos quebrados. Só uma grande pancada no músculo da parte posterior, superior da coxa direita. Ficou um calombo duro e bem dolorido que deve passar em alguns dias. Menos uma vida. Só me restam quatro. Acho que da para chegar a velhice, mesmo vivendo em São Paulo city.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Sob o sol da África
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Pôr do sol na África, na cidade de Cartum, capital do Sudão Foto: Andre Lara /dez/2009 |
Ontem falei por telefone com um amigo sudanês, que garantiu que a posição dos políticos em Cartum em relação ao referendo é calma. “Não há tensão. O presidente já deu várias declarações de que o governo do Sudão aceitará o resultado do referendo”.
Muito bem. Acho ótimo que Omar Al Bashir não queira movimentar o exército para segurar o sul do país. Afinal, por ordem do governo dele, muita gente inocente morreu. Porém, no interior do Sudão há muitos guerrilheiros, também no sul. Com certeza haverá disputas territoriais e políticas à base da bala.
Em 2009, quando visitei o país, recebi a informação de que grupos nômades armados existem aos montes, são tribos. O Sudão é um vasto território, a maior parte não têm estradas asfaltadas. Foge ao controle do governo a movimentação de tribos que se deslocam procurando terra, e que aceitam lutar para ganhar dinheiro e comida. Questão de sobrevivência.
As batalhas que estão acontecendo, anunciadas nos jornais, não são novidade. Sempre houve e com o aumento da instabilidade política que tende a ocorrer, caso a separação ocorra, só resultará em mais conflitos tribais por oportunidades melhor de existência. Dai não adianta apontar o dedo para ninguém, pois muitos são os senhores das armas que fazem seus negócios sombrios, armando tribos para se confrontarem. Não importa quem morra. Talvez, se pensar melhor, a secessão não é a solução de um problema e sim, o começo de vários outros.
Os governantes africanos estão temerosos. Acham que a independência do sul pode fortalecer ideais de separação que ocorrem em outros países, como Angola, Somália, Tanzânia, Marrocos e Senegal.
A situação do continente africano é muito mais complexa do que podem mostras os jornais e TVs. A divisão étnica que existe é de proporção pitoresca e a cultura tribal é claramente predominante.
Torço para que tudo ocorra em paz, mas temos que encarar que nem sempre a torcida basta.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
O velho oeste
| Capitólio, símbolo da democracia americana Foto: André Lara - Abril/2010 |
Desde menino sei que se você nasce no Brasil é brasileiro, nasce nos Estados Unidos é americano. Dai, lendo, vi que na França, para que você seja registrado francês, um dos pais deve ser francês, independente se nasceu no país. Pensei de novo: que absurdo.
Então, você nasce na França e não pode ser francês? Que “papagaiada”. É uma quebra do sentido correto das coisas. Como pode ser japonês quem nasceu em solo russo? Como pode ser búlgaro, quem nasceu no Brasil? O mais correto e o mais natural é: nasceu ali, dali é. Jesus, segundo a história, era de Nazaré, pois nasceu lá. Dai vem o nome Jesus de Nazaré.
Claro que aparecem àqueles que darão a idéia absurda de que, para se beneficiarem, mães teriam os filhos no território de interesse da nacionalidade que ela deseja ao rebento. Então respondo: meu caro, as coisas não são bem assim. Não é tão simples você largar a segurança do seu berço para se aventurar na hora do parto. Então vamos ser razoáveis.
A verdade é que leis que visam bloquear as chances de imigrantes de tentar uma vida melhor num país vizinho, num país europeu é o mais puro preconceito e discriminação.
Nos Estados Unidos há africanos ilegais, como muitos que estão no Brasil. Em Nova York entrevistei uma bengalesa ilegal, que tem uma vida muito melhor do que no pobre país Bangladesh. Quem não quer sair da pobreza e do subdesenvolvimento?
Agora, há suspeitas de que o crime ocorrido em Tucson, no Arizona, tenha relação com assuntos relacionados à imigração e a impostos. Dois assuntos que envolvem indiretamente o preconceito contra o não americano e o pobre, americano ou não. Pode-se ver ai uma sombra escura que envolve as decisões de políticos, que não estão pensando nas reações do povo quando fazem seus debates e discursos inflamados. Que colocam na cabeça de jovens uma visão retrógrada e extremista, da qual o mundo não precisa mais.
O rapaz de 22 anos, que matou seis, entre eles uma criança de 9 anos, e atingiu com um tiro na cabeça, a deputada DEMOCRATA Gabrielle Giffords, tinha naquele momento, a mente inflamada como a de alguém que ataca aviões contra prédios cheios de pessoas inocentes. A mira não era ela, mas o que ela representa.
Hoje os discursos e debates políticos amanheceram mais amenos na América do tio Sam. E melhor que continuem assim e até mesmo aprendam a só fazer dessa maneira. Afinal, está mais que claro que terroristas extremistas não se vestem só com turbantes e nem todos são islâmicos, nem mesmo estão próximos de estar presos em Guantánamo. Pelo contrário, pois nos Estados Unidos, podem comprar armas em qualquer lugar e a qualquer hora, livres, leves e soltos.
Para finalizar, quero lembrar aos retrógrados conservadores americanos de uma passagem da declaração de independência daquele país que descreve: todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre eles estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Para finalizar, quero lembrar aos retrógrados conservadores americanos de uma passagem da declaração de independência daquele país que descreve: todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre eles estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Na beira do esgoto
Almoçando com amigos jornalistas e contando sobre minhas experiências no Sudão, comentei que não havia água potável nas torneiras, que 90% do povo vive na pobreza e para a enorme maioria não há saneamento básico. Então um deles me disse: igual ao Brasil.
Ele se referia ao saneamento básico. É verdade. Também é real a impossibilidade do Estado de resolver os problemas da falta de saneamento. A solução viria da parceria público privada. E não pense que isso não traria lucro às empresas.
Estudos do Instituto Trata Brasil e da Fundação Getúlio Vargas apontam melhora de 13,3% na produtividade de trabalhadores com acesso à rede de esgoto. Ainda é apontado que 217 mil trabalhadores se afastam por problemas de saúde ligados a falta de saneamento e que o acesso básico reduziria em 65% o índice de mortalidade por falta do mesmo.
Está ai uma preocupação de primeira classe na qual pode se empenhar o novo governo. Dar mais qualidade de vida à população levando saúde de verdade. Com condições de vida mais saudáveis não precisariam investir tanto em hospitais, por exemplo. Aumentariam a capacidade de aprendizado das crianças e diminuiriam a exclusão social por falta de capacidade produtiva.
Por incrível que pareça, o progresso pode vir através de um caminho muito mais simples, que é o melhor acesso à privada. Por essas e outras que digo que, em matéria de progresso, somos mais parecidos com a África do que com a América.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Ver para crer
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Ao que tudo indica a paz reinará independente do resultado do referendo que ocorrerá dia 9, domingo, e que pode dividir o Sudão criando mais um país na Terra, foi o que deixou entendido Omar Al Bashir, presidente ditador do país. Condenado por crimes de guerra pelo Tribunal Internacional de Haya, Al Bashir visitou ontem a capital do sul, Juba, e declarou que continuarão as boas relações das partes do sul e do norte, independente do que ocorra.
O resultado das votações optando pelo afastamento das duas partes em questão é mais provável (existe muita compra de voto e voto de cabresto no Sudão) e os políticos do sul vem trabalhando duro para ganhar a simpatia do povo sulista pelo afastamento da parte norte. Mesmo assim, Omar Al Bashir disse que respeitará a decisão.
Como eu já disse antes, o histórico do ditador não é bom, porém, diante do quadro que se encontra a imagem dele na comunidade internacional, será muito vantajoso para ele aceitar um resultado negativo aos nortistas e bancar a de pacificador coerente. Mesmo que isso lhe custe bilhões de dólares em petróleo que serão perdidos com a secessão.
Continuo cético até que a transição, que durará dois anos, caso ocorra a divisão, conforme prevê o acordo de paz, seja completamente concluída. O clima no Sudão é de guerra. Por onde se anda vê-se policiais e soldados armados de fuzis, tanques, mísseis, metralhadoras de alto calibre em cima de jipes. Várias cidades vivem sob toque de recolher e a liberdade de expressão é coisa rara. Só resta esperar.
Foto legenda – Soldado e policial , ambos sudaneses, armados de fuzis, em Nyala-Darfur. Região foi palco de mais de vinte anos de guerra civil, rendeu ao ditador a condenação por crimes de guerra e vive sob toque de recolher. Dez/2009
Fotógrafo – André Lara
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Era uma vez um fato
Era uma vez um jovem militante durante a ditadura, no país das Bananas. Todos os dias, sem empunhar armas, apenas com panfletos onde estavam escritas suas ideologias, ele saia às ruas para pregar os ideais contrários aos que na época governavam o país Bananas. Certa dia, ele não votou para casa. A mãe preocupada nem sabia para quem perguntar sobre o paradeiro do filho amado. Desesperada procurou por todos os locais, mas nada nem ninguém tinha informação. Depois de algum tempo, ficou sabendo que muitos ativistas da época, contrários ao governo das Bananas, sumiram como o filho dela. Descobriu que ele, provavelmente junto com outros, poderia ter sido preso, torturado, morto, enterrado ou talvez queimado como uma madeira velha. Indefesa, sem possibilidade de reivindicar justiça, calou-se por anos.
O tempo passou e claro que aquela mãe não esqueceu do filho que nunca mais voltou. Então, com uma situação política mais liberal, mais decente e mais digna para um povo, ela procurou uma pessoa que poderia dar-lhe uma resposta que aliviasse a enorme angústia que lhe apertava o coração havia anos. Tristeza que valeram noites de insônia, onde imaginava a volta do filhote amado.
A ajuda viria de um grande general. Homem do poder, ainda atuando na esfera política, recebeu a mãe do sumido e disse:
- Minha senhora, seu filho àquela época se envolveu em atos de subversão. Ele atuou contra os princípios do Estado.
A mãe respondeu:
- Mas ele só tinha 20 anos e tinha sonhos, era um jovem começando a vida. Queria transmitir suas idéias. Nunca pegou em armas ou agrediu alguém. Apenas falava e escrevia. Sonhava em ser jornalista.
- Não importa.
Respondeu o imponente militar. E continuou:
- Agora o que você precisa ver é que isso faz parte do passado. Olhe para frente. Afinal, o sumiço do seu filho, como de muitos outros, é apenas um fato histórico.
Assim foi embora a mãe. Rezando para que tempo como aquele não voltasse mais. Imaginando que com isso, muitos outros filhos, de outras mães, poderiam desaparecer e tornarem-se apenas fatos históricos.
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